América Latina
Brasil consulta leilão de 6 GHz com compromissos de cobertura e data centers
A proposta combina lotes nacionais e regionais para operadoras móveis. A consulta ainda não é uma outorga nem representa redes implantadas.
O Brasil abriu em 8 de setembro uma consulta pública sobre a proposta de leilão da porção superior da faixa de 6 GHz. A Anatel propõe conceder essas frequências a operadoras com compromissos de cobertura, transporte e data centers regionais. O desenho poderá influenciar tanto a capacidade futura das redes móveis quanto o custo de disputar espectro. Ainda não é um edital definitivo nem uma outorga. [1] [2]
A minuta cobre de 6.425 a 7.125 MHz: 700 MHz de espectro divididos em três blocos de 200 MHz e um de 100 MHz. Segundo explicou ao TELETIME o conselheiro relator Alexandre Freire, dois blocos de 200 MHz seriam nacionais e os outros dois, regionais. A intenção declarada é preservar escala nacional sem reservar toda a faixa aos grandes grupos estabelecidos. A divisão ainda pode mudar após a consulta. [1] [2]
A faixa proposta é mais adequada para acrescentar capacidade onde o tráfego se concentra; ela não alcança as mesmas distâncias que frequências mais baixas. Por isso a Anatel separa o direito de usar 6 GHz dos compromissos para atender localidades desassistidas. Freire esclareceu que o piso tecnológico previsto para essas obrigações é LTE Advanced, evolução do 4G, e que o 5G também poderia cumpri-las. Abrir a consulta não cria essa cobertura. [1] [2]
Para comprovar determinadas obrigações de cobertura, a minuta exigiria estações rádio-base próprias; roaming ou operação virtual na rede de outra operadora não bastariam. Freire justificou a condição pela necessidade de criar infraestrutura física adicional. Trata-se de uma regra proposta, não de uma obrigação já imposta a vencedores: ainda não houve leilão, propostas aceitas ou operadoras contempladas. [2]
Outra parte do modelo direcionaria recursos associados ao leilão a data centers e interconexão no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A Anatel propõe núcleos regionais e unidades menores próximas a municípios do interior, com acesso aberto e não discriminatório. A agência sustenta que aproximar processamento e troca de tráfego poderia encurtar percursos dos dados; não apresentou ganho de latência medido em estruturas que ainda não foram construídas. [1] [2]
A Anatel planeja realizar a licitação até 2028, mas essa é uma previsão sujeita ao processo regulatório. As contribuições públicas poderão alterar lotes, compromissos e condições técnicas antes da aprovação definitiva do edital. Por enquanto, o fato comprovado é a abertura do debate regulatório. Apresentar a minuta como leilão concluído ou como nova cobertura comercial distorceria seu estágio. [1] [2]
Fontes
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